Amor, não é difícil me inspirar quando penso em você. Na verdade, é quase automático. Por isso, eu sei, é injusto você não ter uma carta decente escrita por mim até hoje. Mas eu juro que tentei. Gastei mil folhas em mais de dez textos diferentes, todos não entregues, todos sobre você. Rabisco, mudo as frases de lugar, sinto que falta alguma coisa, pego outra folha e recomeço.
Nossa relação é quase assim. Cheia de rabiscos, arriscada, com linhas mal escritas, espaços em branco… Mas sempre há, por fim, uma folha nova, para que nossa história continue.
Nosso amor é livro, não carta. Livro grande e bom, daqueles que a gente pega, olha, acha a capa esquisita mas, mesmo assim, abre e começa a ler. Depois se apega, rí, chora, devora.
E como poderia eu descrever um amor desse em trinta linhas? Seria um bilhete, uma frase, perto do que eu tenho a dizer e não consigo.
Tua carta vai chegar um dia, eu juro. Talvez eu até mande junto os rascunhos e as outras dez tentativas – aviso que é muito papel.
Mas antes, saiba que eu te amo – tambem aviso que é muito amor. Tanto, que vai muito além de qualquer folha dobrada e guardada no fundo da gaveta.
Sobre as cartas que eu não mando
14/10/2010Assim seja
10/10/2010Ainda acha que amor é sinônimo de sofrer? Não ache, não ache nada, se perca. Pois onde encontro prazer maior que doar um órgão – o cérebro, com todo coração, – e continuar vivendo?
Digo que amar é sinônimo de aprender. Aprender a olhar enxergando, querer acreditando, falar sorrindo, viver sonhando. O resto é resto, você sabe. O resto é quem não sabe, que não diz, que tem vergonha. O resto é… Infeliz, coitado. Mas o resto não tem culpa. Não amou cedo, antes de nada… O amor nem veio. Cadê o amor? E se ele vir? Não espere, só abra a porta, se perca.
Tenho sorte, amor, amém. Amei cedo, antes de muito. Ás vezes até me parece cedo demais. Surgem situações, sentimentos, emoções, coisas, desconhecidas… Que não conheço, que não sei da onde vem – ou sei e não me importo. E tenho que lidar com isso, com elas e com tudo, que vem junto. E faço.
O que me dá medo é que, ás vezes, me pego sem medo algum, abraço tudo e nem acendo a luz.
Então chega de idealizações, de definições, de par perfeito, de preconceito! Somos diferentes um dos outros. Temos em comum a imperfeição.
E eu não ”tenho que” nada. Eu faço o que eu quiser. E eu quero amar. Não alguem que largue tudo por minha causa. Basta não abrir mão de mim por outra coisa, não ter medo do escuro e me deixar entrar.
Amem, amém.
Desencontros
02/10/2010Estou sentindo na pele a impossibilidade de um abraço agora. Bem agora, que preciso tanto. E, sentindo na pele? Irônico. Mas a vida é bem assim mesmo, né? Não bem, assim, porque assim é ruim. Mas é, definitivamente (e fodidamente), irônica.
A gente pega qualquer coisa na mão e põe em qualquer lugar. Daí uma semana, precisamos muito daquela coisa, lembramos que ela não era tão qualquer coisa assim. Poxa, peguei nas mãos esses dias! Mas não lembramos onde ela foi guardada (ou deixada, simplesmente). O tempo passa e a gente acha (a coisa) quando acha que não precisa mais dela.
E além da ironia, existe o desencontro, que são praticamente a mesma coisa. O que difere os dois é que a ironia é má porque ela tem de ser, porque ela quer ver a gente na merda mesmo, e rir. O desencontro faz a gente chorar mas acredito que, no fundo, ele quer mesmo é fazer a gente se encontrar.
Em suma, ele nem é tão ruim. Muita gente acredita que nada acontece por acaso, e eu faço parte desse pessoal. Ainda que seja difícil achar o lado bom da solidão, da distância e da hora que insiste em não passar, tudo se tornaria mais fácil se a gente tivesse a consciência de que ela passa, a solidão é um inferno criado e a distância, apenas números.
Então, para vermos alguem, ganharmos um abraço ou conseguirmos alguma coisa, precisaríamos primeiro ter certeza de que é o que queremos, depois lutar por isso, acreditar, fazer acontecer, tentar. Assim, nos tornaríamos merecedores. Os desencontros ficariam á nosso favor, as horas voariam, a distância zeraria…
Porque tudo acontece quando simplesmente queremos e/ou merecemos. O que tambem é irônico porque quase sempre acontece mas, na maioria das vezes, a gente não sabe aproveitar ou não consegue ver.
Enquanto a chama do cigarro não vira cinza
11/09/2010Tudo tem a parte boa, a parte ruim, lado A, lado B, positivo, negativo, céu, inferno… Extremos. Opostos que, definivamente, não se atraem. Oito ou oitenta, amar ou odiar. E neles tambem existem subdivisões. Assim, acredito que a paixão e o amor são os dois extremos do gostar. Mas eles podem e devem andar juntos.
Amantes se apaixonam. Nem sei por que amante chama amante se o que os amantes amam mesmo é a paixão. Se amante amasse, viraria marido, esposa, casal… Logo, rotina. O único matrimônio que interessa aos amantes é o casamento com a paixão. Par perfeito! Vivem assim, no fogo, discreta e secretamente. O relacionamento estável nem precisa esfriar para um, o outro, ou os dois, procurarem na rua o que nunca encontraram ou não encontram mais em casa. Ter ou ser amante sempre vai ser mais perigoso, talvez por isso mais quente, por mais escapismo que seja. É um bom e irresistível escapismo. O amor, do relacionamento estável, nem precisa acabar. E qual amante quer amor? Amante quer fazer amor. Beber, transar, fumar um cigarro, transar denovo. Qualquer lugar é lugar, sem exigência, sem discutir a relação. Relação? Outro cigarro, mais sexo. Acham que casais falam demais, discutem tudo, preço do arroz, material escolar, conta do telefone… É bem verdade que amantes falam com as mãos, ligam do telefone público, comem (quando comem) a comida do motel ou de algum restaurante pouco frequentado na cidade, e pouco se importam.
Quem ama é o oposto, se importa com tudo. Já que a relação existe, tem que ser boa. Então, porquê não discutí-la hoje? Não gostei do jeito que você olhou para a mocinha do caixa… Ela tem cara de fumante.
Não que paixão seja para os fracos. Não que uma vida secreta não seja excitante. É que ás vezes cansa. Óbvio tremer na base com aquele olhar vamos-para-algum-lugar-onde-não-tenha-ninguem ou com aquele sorriso disfarça-tem-alguem-vindo. Como eu disse antes, ás vezes, ás vezes cansa. Não é bom nem necessário perder o lado apaixonado e safado (porquê não?) totalmente. Fogo! Fogo é bom. Tanto para acender o cigarro, quanto para levar o amor adiante. Mas o coração tambem pula, e pula muito, com um eu-te-amo-muito no olhar, um sou-feliz-por-isso no sorriso, mão na mão em público, sem vergonha, gente olhando, e daí?
Acho que é difícil ser amante, se esconder o tempo todo… E repito, ás vezes cansa. Mas é muito mais difícil ter coragem de mostrar para o mundo que só uma pessoa, com todos os defeitos, qualidades, discussões e contas de telefone, faz seu coração bater mais rápido, suas mãos suarem, suas pernas amolecerem e você pensar: Nascí para amá-la.
O amor é um vício, a paixão tambem. E como Aristóteles dizia, o meio-termo é a virtude. Maneira boa de viver é juntar os tais extremos do gostar. Ser amor, cigarro, relação, amante, marido, fogo, namorada, discução, sexo, restaurante… Tudo, apenas com uma pessoa.
Excessos, todos, são ruins. Como quem ama e não se mexe, procurar por aventura todos os dias tambem acaba se tornando uma rotina chata. Então eu concluo meu texto com a opnião de que o amor é para os fortes. Porque se você está apaixonado por alguem, pode amá-lo a qualquer momento. Mas quando você ama uma pessoa, tem que se apaixonar por ela todos os dias. E não é fácil.
AA
07/09/2010- Ela apareceu?
- Ligou.
- E aí?
- E aí, nada.
- Como, nada?
- Tô pensando.
- Na resposta?
- Nela.
- Nela quem? A resposta?
- Não. Nela…
- Ah… Bom, ela ligou, então não é nada.
- É o de sempre.
- Ela sempre liga?
- Não, ela liga ás vezes. O de sempre é eu pensar.
- Nela?
- Na resposta.
- Que pergunta ela fez?
- Eu fiz.
- E o que ela disse?
- A pergunta foi para mim.
- Qual é a pergunta?
- Até quando?
- Até quando o que?
- Até quando eu aguento ela não aparecer, ligar ás vezes…
- E a resposta?
- Não sei.
- Não sabe a resposta?
- Não sei até quando…
- Você a ama, né?
- Muito.
- Como você sabe?
- Sei de nada.
- Mas você disse que a ama!
- É tudo o que eu sei.
- Como você sabe que a ama?
- Acho que é porque eu conheço ela.
- E daí?
- E daí que eu a conheço, e a amo, mesmo assim.
Querido post-it…
30/08/2010Fingí me importar em todas as vezes que você deixou a gente para depois. Eu não ligo, você deveria saber. Nem no seu celular, nem na sua casa, nem para você. Eu simplesmente não me importo com quem você anda saindo, quem tem beijado ou com qual vagabunda tem dormido. Eu não me lembro direito de como a gente se conheceu, nem da nossa noite quase perfeita. Até seu cheiro parou de me perseguir. As nossas músicas e as músicas que me lembravam você, hoje são apenas músicas. E, sinceramente, você nem é tão bonito assim. Contrario à tudo o que eu imaginei enquanto estávamos juntos, hoje vejo que não preciso de você para ser feliz, nem para me sentir completa. Estou muito bem, obrigada.
Colei na geladeira, leio todos os dias! Vamos ver se funciona.
Eu te odeio tanto…
Pour qui
26/08/2010Vejo o progresso retroceder como se fosse novidade. Procurei felicidade e, mesmo não encontrando, sorrí. Não tinha como ficar triste. Eu já estava.
Meus olhos ficam zanzando por aí, fugindo do que meu coração mais ama ver. Minhas mãos seguram o ar e minha cabeça diz:
- Não olha! Não olha! Não olha, porra!
Fudeu.
- Eu avisei.
Só me bastava um passo, que viraria um tropeço, se tranformaria em queda e a cicatriz se romperia novamente.
Como quando a gente amarra aquelas fitinhas coloridas no pulso e depois de um tempo esquece o pedido que fez, não sei mais se desejo qualquer palavra ou se prefiro esse silêncio.
Não importa.
Porque quando você está quase se acostumando com nada acontecendo, vem aquele furacão dos infernos chamado lembrança com duas toneladas de dúvida e um pouco de água escorrendo dos olhos com dificuldade, depois de romper o espaço entre tempo e velocidade.
- Porquê diabos estou chorando denovo?
Martírio secreto, tortura particular…
Basta optar por disfarçar a tristeza e a falta de paciência, engolir tudo o que se tem vontade de dizer e tentar dormir. Ou escolher a solidão e comprar uma garrafa de wisky.
Só não espere que a Dona Compreensão toque a campainha. Somos, sim, cruéis com nós mesmos. Mas o mundo não ajuda em nada…
Tem a ver com drama pessoal e com o pessoal que faz drama tambem. E torna nossa vida uma comédia.
Só estou esperando a hora de rir.
Drama pessoal: Um problema, literalmente, seu.
22/08/2010A vida é cheia de luz, cor e movimento. Poesia, arte e vontade. Certeza, realização e felicidade. Pessoas boas, inteligentes e de verdade.
Ninguem precisa ter vergonha ou medo de ser quem realmente é, nem ter medo de amar.
Mas como a vida pode ser assim, se todo mundo é tão sem graça?
Como, se as pessoas são tão cheias de nada, os amores têm tantos desencontros, a distância é tão enorme e o tempo não descansa?
Independente de fuso horário, idade, sexo, origem, religião, idioma ou cor, em qualquer lugar do planeta, todo mundo tem seu drama pessoal. É tão certo como o Sol nascer todos os dias.
E esse mesmo drama nos cega, nos torna insuportáveis.
Desencontros existem para serem encarados, superados, e finalmente, o amor poder ser vivido. Sim, o amor existe.
Nenhuma distância é tão grande a ponto de ser impossível. O tempo não é intolerante, e sim mal aproveitado.
Enquanto só olharmos para o que é fútil, não enxergaremos o valor real das coisas. Enquanto formos cômodos e tivermos medo e preguiça, tudo vai continuar a mesma droga de sempre, e as reclamações sobre a vida e a rotina, vão continuar. Enquanto a medida do orgulho ultrapassar a da humildade, não vamos chegar a lugar algum.
E felicidade é um paraíso longe daqui.
Quando a gente acha todo mundo chato, quando nada nos agrada, quando nenhum lugar é bom o bastante para estarmos, o problema somos nós.
O amor é mesmo lindo, e a vida é mesmo bela.
Abra seus olhos, mexa-se!
Untitled
07/08/2010Tenho me afastado de coisas que vão contra os meus princípios e/ou que prejudicam a minha saúde e meu bem estar. Só tenho uma vida, e ela tem de ser boa.
Corro de gente que exala falsidade pelos poros, parei de dar o sangue por quem não merece, repudío estupidez. Porque eu tenho certeza absoluta de que a cada dez ”eu te amo” que ouço, apenas dois ou três vêm do coração de quem está dizendo, e não só da boca.
Fugir desse tipo de coisa não é ser covarde. É que, com pessoas ruins, você tem de ser duas vezes pior, e não são todos os dias que eu acordo disposta a ser uma pessoa diferente de mim.
Me respeito! Não preciso de certas coisas e pessoas na minha vida. Sempre odiei tudo que é descartável.
Sei que não sou flor que se cheire, mas tambem não tenho espinhos desnecessários. Só os que servem para me proteger… Ou os que me convém.
Espera
05/08/2010A noite chegou.
Ele levantou do chão, saiu de casa.
O temporal quase não permitia a lua de se mostrar.
Suas lágrimas se confundiam com a chuva e, sem controle do próprio corpo, correu em direção à casa dela.
Ao levantar-se ainda sonolenta, ela se deparou com um apaixonado inconsequente em meio a tempestade, frente a janela do seu quarto, gritando:
- Eu te amo! Eu preciso de você!
A mãe dela acordou, confusa e assustada.
- Quem é o louco que está aos berros uma hora dessas na rua, minha filha?
- O que faz aqui? Vá embora, pelo amor de Deus… É tarde! – Dizia a menina.
Em meio a forte chuva e quase tomado pelo cansaço, ele já não tinha forças para gritar e sua voz falhava.
Mesmo assim, não desistiu.
- Eu não posso ir. Não sem você!
O corpo dela queimava de dentro para fora e seu coração ardia de uma forma que nem os livros explicam.
Seus pais eram contra o romance desde o início e, na tarde daquele dia, tinham dado um ultimato: Se mudariam para longe, e a levariam.
Sem saber o que estava havendo na casa nem se aquilo tudo estava dando certo, ele continuava, aos berros.
As luzes se acendiam lentamente. Os vizinhos saíam em suas janelas para ver.
Sua mãe reconheceu ter visto amor nos olhos dele desde a primeira vez em que o viu. A menina a abraçou e, sorrindo, correu.
Desceu as escadas como um tiro. Chorava sem saber direito o porque.
Quando ele a viu, correu para seus braços e a beijou.
A chuva, que ainda caía intensa sobre os dois, já não era mais percebida.
Nem os vizinhos. Nem a mãe dela. Ninguem.
Nada mais importava…
Nada mais importava.