Se você estivesse aqui, teria rido da muralha de papel que se formou na cama depois do limpa que eu fiz no armário. Você deve estar rindo também agora pelo termo ”muralha” (você sempre me chama de exagerada)… Eu não pesei, mas, juro, deve ter dado mais de um quilo!
Quis eliminar lixo – e lixo, por definição, é sujeira, coisa sem valor ou sem utilidade – mas só achei excessos de você. Excessos de você que eu mesma passei para o papel por meio da tinta na tentativa de amenizar os excessos de você em mim. Rasguei cartas, desabafos e um desenho – folhas meio sujas, sem valor e sem utilidade – mas que, com certeza, no dia em que foram feitas, faziam sentido (assim como nós).
Se você estivesse aqui, essas coisas não existiriam. Não haveriam motivos para tantas reclamações e cartas não entregues, consequentemente uma varredura seria desnecessária e meu tempo seria ocupado com outra coisa.
Coincidência ou não, joguei junto um relógio, ainda novo, porém parado nas horas (assim como nós).
Posts de setembro \17\UTC 2011
Reciclável (Até quando?)
17/09/2011Mais um
04/09/2011Você sabe que meus cafés, meus dias e minhas paixões, estão na mesma: á zero, há meses. Começam quente, demonstram rapidamente um morno – que eu suspeito ser inventado (porque não incomoda) – e tornam-se um frio cortante, aquele frio de culpa, que dá na nuca, ou de saudade, atrás da orelha. Mas por que é que eu não enjoo, hein? Por quê? Suspeito também de serem essas três coisas meus pequenos vícios. Os dias, na verdade, são falta de escolha mesmo, obrigação. Sabe quando a gente pensa em se matar tapando a respiração? Os pulmões inflam antes mesmo dos dedos prenderem as narinas. Parece até que a gente não manda na gente, porra!
E não manda. Assim como facilmente amanhece, e o sol dá um tapão na nossa cara: ”acorda ai que é hoje, amanhã outro hoje e depois novos hojes”. Engraçado esse ”todo dia”. Independe de nós para acontecer mas para que aconteça, depende.
Confesso, me chateio por não poder escolher, mas gosto da obrigação. Peço tanto para que as coisas mudem, sem nem pensar se quero, por exemplo; sem ao menos reparar á quem peço. Que tola! Se tem vez que muda um pouquinho, acordo duas horinhas mais tarde ou deixo de almoçar, já endoideço… Se mudar muito, pensa! Se mudar tudo, nem sei. Os dias permaneceriam indo – as horas é que me danariam um pouco, natural, mas, dá-se um jeito. Porém, sem café e sem paixão, não. Não dá! Tem como acordar e desejar nada e beber nada e olhar o nada e querer segurar o nada? Pior: dormir sonhando com nada, dá alegria?
Amanheceu. Amanhece. E novos cafés são passados, outras paixões são acolhidas… Tudo de novo e nunca novo. Mas outra coisa eu te digo: quando as paixões e os cafés acabam, dá pra chorar na caneca… Até nisso a vida acode. Que beleza!